terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Viagem de Comboio III

Partiu de um nevoeiro duro,
para um sol tímido.
A origem e o destino,
da sua habitual viagem,
mostraram hoje estar de mal um com o outro.
O sítio de onde vem mostra-se pesado,
grosso, egoísta.
O destino,
é em tudo caloroso,
alegre, sorridente.

Tal qual sua vida,
o sítio de onde começou,
é hoje um sítio que não não se vê,
sente-se apenas o seu peso,
e o sítio para onde quer ir,
sabe,
será brilhante e caloroso,
leve e luminoso.
O caminho que percorre entre estes dois pontos,
deixa-a mais segura que a enorme carapaça do comboio.
Na viagem, o comboio é o seu escudo.
Na vida o seu escudo é a viagem.

domingo, 2 de janeiro de 2011

O caminho traça-se no escuro com um claro conhecimento.

Na procura de uma caminho menos errante,
que a levasse onde todos os outros a não levaram,
deparou-se com uma rua escura.
Não bastasse já aquele nevoeiro imenso,
que a impedia de ver para além da sua mão na procura errante de obstáculos,
e lhe dificultava a respiração,
tinha ainda que percorrer uma rua,
longa ou curta, (não o adivinhava),
na escuridão.
Habituou-se ao escuro
e os seus olhos conseguiram ver,
para além de si.

Avistou algo,
um poste,
teria que se desviar.
Ah, não...
era uma pessoa parada no meio daquela imensidão de escuridão.
Alguém perdido,
no caminho ou na vida!
Sentiu medo...
Pensou que deveria correr,
mas o coração pesava mais a saltar daquela forma descontrolada,
do que os seus pequenos pés poderiam suportar.

Avistou algo mais,
Ah, que alívio,
um policia, decerto,
pela sua figura.
Tinha um pequeno bastão,
E viu-se ali na escuridão,
salva por alguém com um bastão.
Não demorou muito,
o coração voltou a pesar,
não havia polícia nem bastão para a salvar,
havia apenas um velhinho,
pequeno,
com uma pequena bengala,
levantada,
para não estragar naquela calçada,
da rua direita.
Viu-se ali,
Aflita,
por si e pelo velhinho,
cuja bengala serviria de bastão,
estivesse ela em sua mão.