segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O reflexo da solidão.

Rodeada pela solidão,
chorava que nem uma Maria Madalena!
O seu conforto era o espelho,
ali, via mais uma pessoa para além de si.
Podiam ter diálogos,
podiam sorrir,
ou mesmo, ficar em silêncio!
Mas as duas eram mais que o vazio,
as duas estavam juntas naquela solidão.
haviam lhe tirado tudo,
contudo,
os espelho ficara!
A outra ali estava,
sempre a olhar por si.
Quiseram tirar-lhe tudo,
mas o espelho ali continuou,
não a queriam deixar sozinha e doida!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Existes nele e por ele

Na escrita das mais banais palavras
tento explorar o mais elaborado sentimento que há em mim,
que há em ti, que existe em nós,
O amor.
É o amor que me agonia,
na sua dupla face,
na sua demora,
na sua franqueza!
É o amor que me dói,
dentro e fora de mim,
é ele que me consome,
que me comanda,
e quando ele se cansa de mim,
sou Nada!
Sou tudo,
sou figura que vagueia por aí,
por aqui, e quem sabe, por acolá.
Sou alma que não se conhece,
nem se dá a conhecer.
Sou cão sem dono,
sou andorinha sem rumo.
Sou apenas eu...
a pessoa que ainda não conheço,
a pessoa que ainda não construí.
Sem ele não me sinto,
não me lembro,
não aprendo.
Sem ele,
tu és nada em mim!

Viagem de Comboio IV

Eis que regresso à adorada terra,
onde o sentimento que me invade,
é penetrante como o teu olhar,
quando me exploras as curvas.
Sinto cada movimento do teu olhar,
como um toque leve, maduro,
sob o meu corpo inteiro.

Nesta terra,
encontro-te a ti e a mim
e isso basta-me.

Por muito tempo andei perdida,
numa outra vida,
por terras que não percebo,
terras que não são minhas,
terras onde ninguém me toca,
ups,
ninguém me olha como tu.
Aqui sei-te em mim
e quero-te dentro de mim.
Aqui me possuirás pelo tempo que quiseres,
pois desta terra não fugirei.
Demora o tempo que precisares...
O próximo comboio é só na outra vida.