terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O cheio dentro de mim!

Queria apenas ter força para se mexer um pouco, para lutar contra a inércia que se apossava de si!
Sentia-se cada vez mais vazia e simultaneamente cheia, pois aquele vazio incómodo ocupava um espaço tal, que nem conseguia consigo!
De uma ponta à outra, de um tempo a outro estava cheia de vazio!
Aquele vazio preenche-a de tal modo que não mora ali qualquer outra coisa.
Todo o espaço é ocupado pelo nada e é isso que lhe dói.
Toca-se e sente todo o vazio,
tenta tocar-se ao de leve, mas frustrada a tentativa,
consegue sentir ainda melhor o vazio.

Queria arranjar algo para ocupar o espaço do vazio!
Estava difícil isso! Era exigente e muito indecisa!
Que contradição esta, como muitas mais que se assomavam.
Contudo, já estava habituada a viver no meio de contradições.
Descobriu certo dia que andava a percorrer o caminho errado!
A procura a que, em certos momentos, se dedicava era completamente inútil.
O objectivo pelo que tenta reunir força para lutar, mostrou-se o mais absurdo.
Tinha que mudar de rumo, antes de encontrar o algo, tinha que descobrir como fazer o vazio sair.
Esquecera-se já, do espaço que este ocupava,
de tão imenso que era e tão pequena que a fazia sentir.

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