Quer escrever, desesperadamente!
Desespera por escrever, não escrevendo o que a desespera.
Sente que só a escrita lhe confortará a mente,
a alma será pedir de mais.
Quer aqui, depositar em palavras,
todos os sentimentos que carrega.
Carregando dentro de si a força dos sentimentos
no seu auge,
esmaga as palavras que encontra,
umas escondem-se,
outras morrem,
algumas suicidam-se.
A inspiração tarda a chegar,
quando vem!
Segue o seu rumo,
nesta união de palavras banais,
as únicas que sobram,
as que ainda restam no seu cérebro.
Sente-se tremendamente confusa
e no meio destes maus-tratos do coração
e do cérebro,
anda uma alma grande,
confusa até ao último pormenor!
Aí vem o pica...
Mais um devaneio interrompido,
Mais um desabafo incompleto,
Mais uma quebra na alma.
Como tudo o que acontece na sua vida,
isto poderia ter sido mais,
muito mais,
Mas perdem-se aqui muitas palavras.
Na tentativa de recuperar o pouco que escreveu,
Olha através da janela do comboio,
O Outono passa-se do outro lado desta,
Inspira-a,
tanto que gostaria de inspirar aquele Outono,
Viver a queda das folhas das árvores,
Acordar com o vento pouco brando,
Pintar a alma da sua cor melancólica,
Seguir a vontade da exposição,
expondo a escrita,
na procura das mais harmoniosas palavras,
no sentido de,
aqui compor a força dos seus sentimentos.
Contudo, o Outono esconde algo,
não a deixando encontrar a harmonia.
Pensa que talvez sejam as folhas,
que gritam tanto quando caem que chamam o vento,
ou talvez as árvores se abanem com o frio,
deixando cair as folhas mais maduras,
as que podem já viver sem os seus ramos,
ou apenas as que já estão velhas para viver nos mesmos.
O outono exalta em si mais sentimentos,
sentimentos estes que não descodifica,
já passaram por si,
deixaram uma marca leve,
e uma lembrança nula.
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