terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Viagem de comboio II

Hoje esperou pelo pica,
não quis ser interrompida.
O que quer escrever é importante.

Quer escrever o que sente,
neste dia gelado,
e molhado.

Toda a noite choveu,
toda a noite o sono se escondeu,
nem o cansaço venceu!

Foi noite de memórias,
noite de chuva dentro de si,
Foi noite que lembrou dia,
noite de sentimento e fantasias.

Durante a noite,
no meio do assalto de sentimentos,
que trouxeram lágrimas,
molhando mais que a chuva,
não conseguiu escrever,
não pensou sequer!

Escreve agora,
num local neutro,
onde a chuva acontece lá fora do comboio,
e dentro de si,
e o seu choro são as pingas fortes na janela.
Aqui sente-se mais que sozinha,
sente-se apenas alguém,
um alguém que não chora,
não sorri,
mas sente toda a alma chorar.

Observa entre duas longas lágrimas na janela,
as árvores correrem pelos campos,
pensa que as pessoas são como as árvores:
passam por si a correr,
e nem dizem olá!
Encosta a cara na janela gelada,
sentindo o vidro plano e rígido,
e ouve as árvores cantarem,
consegue distinguir uma voz mais fina,
uma voz jovem,
que se está formando ainda,
não tendo a vitalidade de todas as outras ainda,
mas uma voz forte,
que chega ao coração dos que sentem.
A voz mostra-lhe o caminho,
mostra-lhe que ela também passa pelas árvores,
conduzida por alguém exterior a si,
mas passa por elas, entre os campos cobertos de lágrimas,
passa por muitas árvores,
e nem diz olá!

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